Aeroporto de Maragogi deve “preocupar” Recife e não Maceió

O governo de Alagoas deve autorizar no próximo dia 4 o início da construção do aeroporto de Maragogi. A obra, mesmo reivindicada há décadas pelo trade turístico, tem sido alvo de algumas críticas. A principal delas é que a cidade seria muito próxima de Maceió – apenas 127 km – para justificar a construção de um equipamento desse tipo.

Mas há também quem imagine que o aeroporto não terá viabilidade econômica, em função do baixo número de passageiros que poderá movimentar. Pior. Muitos imaginam que o aeroporto de Maceió poderá ser prejudicado com a operação do novo equipamento.

Conversei com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas, Rafael Brito sobre estas e outras preocupações.

De cara, ele assegura que não é Maceió (aeroporto) que deve se preocupar com o equipamento em Maragogi, mas Recife (PE).

“Nossos levantamentos apontam que 65% de turismo de Maragogi entra por Recife. Menos de 30% entra por Maceió. Do ponto de vista do turismo, em nada esse aeroporto afetará a capital de Alagoas, que é hoje um dos destinos mais procurados do país”, pondera.

O que está em jogo, garante o secretário, não são as perdas que os aeroportos de Maceió ou Recife poderão ter, mas o ganho para o turismo no litoral norte de Alagoas.

“Maragogi é hoje a maior cidade turística do Brasil dentre que as que não tem aeroporto. O turista que vai a região, prefere ir direto. O custo do transporte aéreo para ele será o mesmo de parar em Maceió ou Recife, mas o ganho em tempo e comodidade é inestimável”, aponta Brito.

O aeroporto, avalia o secretário, deve provocar um novo “boom” no turismo na região norte de Alagoas: “As pessoas não tem ideia do tamanho dos setor. A cidade tem 220 lanchas homologadas para fazer passeio no mar. São mais de 9 mil leitos oficiais só em Maragogi e Japaratinga. E a região ainda vai ganhar, só com o Vila Galé, mais 1,4 mil leitos”, explica.

Após entrar em funcionamento, o que pode ocorrer em até dois anos depois do início das obras, o aeroporto poderá fazer o “caminho inverso”, avalia o secretário: “hoje o turista que desembarca no Recife vai principalmente para Porto de Galinhas e Maragogi. Então ele poderá descer em Maragogi e ir também para Pernambuco”, pondera.

Operação

Brito revela que foi, acompanhado do governador Renan Filho, nas principais companhias aéreas e todas demonstraram interesse em operar em Maragogi: “a pista permitirá pouso de qualquer avião, inclusive o A320”, adianta.

A perspectiva é já iniciar o aeroporto “com 12 a 15 voos por semana, de linha regular, além de alguns voos regionais da Azul e Passaredo. Talvez Gol e Latam possam colocar um voo dia sim e dia não, mas inicialmente o que se espera é que o aeroporto vá operar com muito voo fretado. O custo é mesmo para Recife, Maceió e Maragogi. Só para dar uma ideia, a CVC freta 40 apenas para Maceió.”

Obra

O aeroporto contará com um terminal de embarque e desembarque de passageiros, uma pista de pouso e decolagem de 2.200 metros, além de um pátio para abrigar duas aeronaves simultaneamente, situados numa área de 340.888 hectares, segundo estudo topográfico. A construção será 100% financiada com recursos do Governo de Alagoas. A obra será realizada pela Secretaria de Transporte e Desenvolvimento Urbano (Setrand), está orçada em aproximadamente R$ 120 milhões e tem prazo para conclusão de dois anos após o início dos trabalhos.

De acordo com dados da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) e da entidade Costa dos Corais Convention & Visitors Bureau (CCC&VB), o Litoral Norte é o segundo maior polo turístico alagoano, sendo o município de Maragogi o destino mais procurado por visitantes na região e o segundo destino mais visitado em Alagoas, ficando atrás apenas da capital Maceió. Segundo dados da Prefeitura de Maragogi, uma média de 300 mil pessoas visitaram as piscinas naturais, um dos principais atrativos turísticos da cidade, durante o ano de 2019.

Maragogi aparece, ainda, nos rankings dos mais procurados de agências on-line como Hotel Urbano e Decolar. Na ausência de um aeroporto regional, de acordo com dados da CCC&VBN, 90% dos turistas chegam a Maragogi por Recife, em Pernambuco.

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