você se orgulha de sua cor, de suas origens?

Por muitos anos eu quis saber um pouco mais sobre minha ascendência , devido ao sobrenome herdado de meu pai. No Museu da Imigração, em São Paulo, descobri uma série de curiosidades sobre achegada de meu ancestral, Ernest de Laet, no porto de Santos, no navio a vapor Albatroz, em 1870. Além do parente belga, descobri que o imenso arquivo histórico também tinha relíquias de outros povos: judeus, franceses, turcos, italianos, e por aí vai.

Me lembro do guia falando sobre os povos que “construíram o país” e, depois que concluiu a narração, perguntei: “onde está a ala destinada aos descendentes africanos? ”. Não tinha. “Deve ter algum museu destinado apenas à Escravidão”, cogitou o rapaz, meio contrariado.

Não quero causar polêmica nem desmerecer a história dos povos que escolheram o Brasil como morada, mas aquela conversa com o guia me deixou reflexiva. Foi pelo braço africano que o Brasil foi construído, ainda que forçadamente. Suor e sangue negros estão nos alicerces de cada casa grande, plantação e correm nas veias de 54% da população brasileira atual (dados do IBGE). Quem não tem sangue negro, tem um açoite nas mãos de seus ancestrais.

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