
Segundo o médico nutrólogo Ricardo Martins, a cafeína atua bloqueando a adenosina, substância que se acumula naturalmente no cérebro ao longo do dia e está associada à sensação de cansaço e sonolência. Com esse bloqueio, o organismo permanece em estado de alerta, favorecendo a atenção, a concentração e a disposição. O consumo da bebida também pode estimular a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina.
No entanto, os efeitos do café vão além da ação da cafeína. De acordo com a psicóloga clínica e neuropsicóloga Iunci Pinheiro, o primeiro café do dia costuma representar um momento de autocuidado e preparação para a rotina. O ritual de preparar a bebida, sentir o aroma e segurar uma xícara quente cria uma pausa antes das atividades diárias.
A especialista destaca ainda que o olfato possui forte ligação com áreas cerebrais responsáveis pelas emoções e pelas memórias. Por isso, o cheiro do café pode despertar lembranças da infância, encontros familiares ou outros momentos marcantes, transformando a bebida em uma experiência afetiva.
O ambiente e o contexto também influenciam essa percepção. Um café compartilhado entre amigos ou apreciado em um momento de tranquilidade tende a proporcionar uma experiência diferente daquele consumido às pressas durante o expediente.
Apesar dos benefícios associados ao consumo moderado, especialistas orientam atenção ao horário da ingestão. Como os níveis de cortisol já são elevados ao despertar, esperar entre 60 e 90 minutos após acordar pode potencializar os efeitos da cafeína. Também é recomendado evitar o consumo da bebida no fim da tarde e à noite, já que a substância pode comprometer a qualidade do sono.
Para a maioria dos adultos saudáveis, entidades como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) consideram seguro o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia, quantidade equivalente, em média, a três ou quatro xícaras de café coado. A tolerância, entretanto, varia conforme fatores como idade, metabolismo, sensibilidade individual e condições de saúde.
Quando consumido de forma equilibrada, o café pode contribuir para melhorar a atenção, a concentração, o desempenho cognitivo e reduzir a sensação de fadiga. Para os especialistas, essa combinação entre efeitos fisiológicos, memórias afetivas e rituais cotidianos ajuda a explicar por que a bebida ocupa um espaço tão importante na vida de tantas pessoas.


