
A fala, em tom de balanço e despedida, marcou a Caravana Federativa, evento que reúne ministérios e órgãos federais em atendimento direto a prefeitos e gestores municipais e que segue até esta sexta-feira em Maceió. Ao lado de Paulo Dantas e Gleisi, Renan deu o ritmo político da agenda — menos institucional, mais estratégico.
Nos discursos e vídeos divulgados nas redes sociais, o ministro listou autorizações de novas ordens de serviço para duplicações consideradas estratégicas. Entre elas, a BR-316, no trecho do viaduto da Polícia Rodoviária Federal, em Maceió, até o Pilar; e a BR-104, com a continuidade das obras entre Messias, Murici e Branquinha, além da extensão até União dos Palmares.
Também destacou a conclusão de trechos antes travados, como o segmento da BR-101 em Joaquim Gomes, que envolve área indígena e ficou anos paralisado. “Obra parada não traz progresso. Retomamos com diálogo”, afirmou, em referência indireta à gestão anterior.
O tom foi além da infraestrutura rodoviária. Renan citou o Canal do Sertão, o Hospital Metropolitano do Agreste, investimentos federais em creches, unidades básicas de saúde e equipamentos odontológicos. Fez um inventário amplo de entregas — típico de quem encerra um ciclo, mas também de quem se apresenta para outro.
A saída do ministério ocorre com números robustos para Alagoas. Segundo o próprio governo estadual, os investimentos federais em obras rodoviárias e estruturantes ultrapassam R$ 1,1 bilhão apenas nos anúncios mais recentes, podendo chegar a cerca de R$ 2,5 bilhões considerando o conjunto iniciado ou retomado nos últimos anos.
No estado, a leitura é que Renan Filho deixa Brasília com obras em andamento, trechos concluídos e novas frentes autorizadas. E volta ao debate local com discurso de realizador.
Na Caravana Federativa — espaço criado para aproximar União e municípios — o que se viu foi mais que prestação de contas. Foi posicionamento.
Renan falou como ministro. Mas, para muitos, soou como pré-candidato. Mas essa é outra história.

Gleisi Hofmann, Paulo Dantas e Renan Filho durante a Caravana Federativa, em Maceió. Assessoria


