
O Brasil vive um momento de intensa mobilização contra a chamada PEC da Blindagem, apelidada de “PEC da Bandidagem”. Manifestações artísticas e populares se espalham pelo país, e Maceió também será palco de atos de protesto. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados, é criticada por dificultar investigações contra parlamentares e por representar um retrocesso na transparência do sistema político.
Na capital de Alagoas, a manifestação está prevista para ser realizada a partir das 9 horas da manhã. O protesto foi organizado por movimentos de esquerda e terá concentração na Praça 7 Coqueiros, na Praia de Pajuçara.
A pressão social ganhou ainda mais fôlego após artistas de grande projeção se posicionarem contra o texto. Anitta publicou um vídeo explicando os riscos da medida; Caetano Veloso, Djavan, Gilberto Gil e Chico Buarque anunciaram um ato no Rio de Janeiro; e a cantora Simone confirmou participação em manifestação marcada para Maceió. O movimento nas ruas e nas redes mostra que a sociedade civil não aceita retrocessos na fiscalização dos representantes.
Renan
Em Alagoas, o debate ganhou contornos nacionais a partir do posicionamento do senador Renan Calheiros (MDB), que classificou a PEC como um “vale-crime” e defendeu a punição de parlamentares que a apoiaram. A Executiva estadual do MDB em Alagoas decidiu advertir os deputados Isnaldo Bulhões e Rafael Brito pelo voto favorável.
O caso de Rafael Brito, no entanto, virou um exemplo inédito no país. O deputado foi o primeiro a rever publicamente sua posição, reconhecendo que havia votado por orientação partidária, mas que a pressão de seus eleitores o levou a se reposicionar. Brito anunciou que atuará contra a PEC no Senado e informou que deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar sua tramitação.
O gesto do deputado alagoano abriu caminho para outros movimentos semelhantes. Em Pernambuco, o deputado Pedro Campos (PSB), irmão do prefeito do Recife, João Campos, também recuou e divulgou pedido de desculpas após críticas pela sua posição inicial. Esse efeito demonstra que a mobilização social começa a reverberar diretamente na atuação parlamentar.
Esse conjunto de manifestações reforça a avaliação de que dificilmente a PEC da Blindagem avançará no Senado. A mobilização que nasceu em Alagoas, com a liderança do senador Renan e o gesto de recuo de Rafael Brito, agora ecoa em todo o país. O recado das ruas é claro: a sociedade não aceita blindagem nem privilégios para políticos.


