
Segundo ele, “o anúncio da CAE acelerou os fatos, quebrou o silêncio, iluminou o tema e ajudou a liquidar uma operação abafa em favor do Master e de seus múltiplos tentáculos”.
Embora sem os poderes formais de uma CPI, o grupo funcionará, na prática, como uma comissão de investigação permanente. Renan deixou claro que a CAE não pretende atuar de forma protocolar. “Temos um plano de trabalho e não dependemos de nenhum aval para destrinchar a fraude”, afirmou. Segundo o senador, a comissão vai requisitar, com base na Lei Complementar 105, de 2001, “todos os documentos sobre o escândalo, inclusive os documentos sigilosos”.
A lista inclui inquéritos da Polícia Federal, processos do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do Tribunal de Contas da União (TCU) e de outros órgãos de fiscalização. Para Renan, a amplitude da investigação é indispensável para identificar responsabilidades. “É imperioso saber quem estava na cobertura dessa pirâmide criminosa, quem eram os agentes públicos que ajudaram a fraude”, declarou.
O presidente da CAE também descreveu, de forma crítica, o funcionamento do esquema. Segundo ele, trata-se de “uma operação já conhecida: a venda de títulos podres para salvar um tamborete falido, que montou uma pirâmide financeira apoiada em brechas legais, cegueira fiscalizatória e relações promíscuas com o poder”. Na avaliação do senador, “é impossível que uma fraude desse tamanho tenha prosperado sem cobertura política”.
Renan apontou ainda que o principal ativo do banco não eram os Certificados de Depósito Bancário tradicionais. “Está claro que o maior ativo dos banqueiros trapaceiros eram os CDBs, não os tradicionais depósitos bancários, mas os certificados de defesa e blindagem”, aponta, acrescentando que o fundo que sustentava o banco “era o fundo do poço” e que a tentativa de retardar ou até reverter a liquidação contou com proteção política explícita. “É isso que nós vamos investigar na CAE, sem panos quentes”, disse.
Outro ponto destacado pelo senador foi a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, que determinou a quebra de sigilo de depoimentos relacionados ao caso. Para Renan, a transparência é fundamental para a credibilidade da apuração. “É muito importante que se quebre o sigilo de toda a investigação para que a sociedade possa acompanhar e ver que as provas estão ali, intactas”, afirmou.
Com a instalação do grupo de trabalho, a CAE passa a exercer um papel central no acompanhamento político do caso Banco Master. Ao assumir a linha de frente da apuração, Renan Calheiros reforça sua estratégia de protagonismo em temas sensíveis e de alta repercussão, recolocando o Senado no centro de um debate que envolve o sistema financeiro, órgãos de controle e possíveis conexões políticas de alto nível.Versão oficial
Veja texto da Agência Senado
Comissão do Senado cria um grupo para monitorar as investigações do Banco Master
(Douglas Castilho 19/01/2026, 17h10 - atualizado em 19/01/2026, 17h30)
A Comissão de Assuntos Econômicos estabeleceu um grupo de trabalho para monitorar as investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Sob a coordenação do senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, o colegiado fiscalizará irregularidades como a venda de carteiras de crédito para o Banco de Brasília, o BRB, no valor de 12,2 bilhões de reais, e possíveis desvios em fundos de previdência.
O grupo, composto por sete parlamentares, possui autonomia para convocar autoridades, solicitar documentos e sugerir novas leis. Participarão desta comissão de trabalho, além do presidente da CAE, Renan Calheiros, os senadores do MDB, Fernando Farias, de Alagoas, Alessandro Vieira, de Sergipe, e Eduardo Braga, do Amazonas; além das senadoras do Distrito Federal, Damares Alves do Republicanos e Leila Barros do PDT. Ainda integram o grupo, os senadores Esperidião Amim do PP de Santa Catarina e Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá.
A iniciativa surgiu após uma série de operações da Polícia Federal e deliberações do Banco Central que miraram a cúpula da instituição financeira.


