Governo deve decretar lockdown em Alagoas

O judiciário alagoano está atento aos desdobramentos da pandemia do novo coronavírus em Alagoas.

E, em decisão anunciada nessa sexta-feira, em que negou uma o pedido de lockdown no Estado, a Justiça antecipou que só vai intervir em caso de omissão.

Os números da Secretaria de Saúde apontam que será inevitável o bloqueio total em Alagoas. É isso ou em poucos dias teremos centenas de alagoanos nas portas dos hospitais, sem atendimento.

Não é uma decisão das mais fáceis. O governador sofre pressão de parte da população e de setores do empresariado para “afrouxar” as medidas de isolamento social, enquanto especialistas na área de saúde recomendam o “endurecimento”  de medidas, com objetivo de reduzir a circulação de pessoas.

Os sinais de que o governo prepara o lockdown são claros. O governador Renan Filho, ao anunciar o novo decreto, disse que não descarta o bloqueio total.

O secretário de Saúde, Alexandre Ayres, voltou ao tema, nessa quinta-feira, 7, um dia após da vigência do novo decreto, considerado mais duro que o anterior.

“A possibilidade de lockdown não está descartada… Se a população não cumprir o decreto iremos caminhar para o lockdown em Alagoas”, disse ao prever que após os dois mil casos- atingidos nesta sexta-feira, 8, o crescimento da Covid-19 será mais acelerado em Alagoas.

Ações policiais mais ostensivas, fechamentos de áreas públicas revelam que o governo está preparando a tropa – literalmente – para o bloqueio total.

Quando ele virá – e deve vir – dependerá da evolução da Covid-19. O lockdown, mantida a situação atual, poderá ser decretado a partir de 20 de maio, período de validade do atual decreto de situação de emergência em Alagoas – ou antes disso.

Os números apontam para a decretação do lockdown. A disponibilidade de leitos específicos para tratamento da Covid-19 é menor  a cada dia, especialmente de UTI. Segundo o boletim de ocupação de leitos da Sesau, nesta sexta-feira, 8, dos 465 leitos disponíveis, 57% estavam ocupados. Dos 145 leitos de UTI, 98 ou 68% já estão ocupados. A situação é pior em Maceió e Arapirca, onde 71% dos leitos de UTI estão ocupados, respectivamente.

O novo decreto de situação de emergência, em vigor desde 6 de maio,  não surtiu até o momento, o efeito esperado. O índice de isolamento social de Alagoas chegou a apenas 44% nessa quinta-feira, 7 segundo o mapa brasileiro da Covid-19 ( https://mapabrasileirodacovid.inloco.com.br/pt/ ), abaixo da média dos dias anteriores ao decreto.

Mesmo com o novo decreto, que tornou mais duras as medidas de distanciamento social, o novo coronavírus avança rapidamente em Alagoas, que registrou, nesta sexta-feira, 2.033 casos da Covid-19 confirmados e 108 óbitos. Há um mês, no dia 8 de abril, a Sesau Alagoas confirmava o 37º caso e 3ª morte por Covid-19. Quanto cresceu de lá pra cá? Mais de 5 mil por cento de casos confirmados e mais de 3,5 mil por cento em óbitos.

Decisão é do governo

A decisão será do governador. E com ela todo o peso, que representa decretar o bloqueio total num momento em que muitos ainda acham que a Covid-19 é uma “gripezinha”.

A o negar liminar para decretação de lockdown no Estado, o juiz Alberto Jorge Correia, titular da 17ª Vara Cível da Capital Fazenda Estadual, destacou que cabe aos gestores do Estado de Alagoas avaliarem a evolução da pandemia e adotarem as medidas necessárias para contenção do contágio, observando diversos indicadores e ouvindo especialistas.

A decisão agora está com o governador Renan Filho. Mas se continuar do jeito que está ele spo terá uma escolha: decretar lockdown total ou  apenas nas áreas mais atingidas.

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