Rodrigo Cunha parte para o ataque a Renan na CPI e leva “troco”

O senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL) assinou o requerimento pela instalação da CPI da Pandemia. O parlamentar parece, como muitos colegas, cansado do comportamento do governo em meio a maior crise sanitária enfrentada pelo país em mais de um século.

“Chega! Todos nós temos ou um parente, ou um amigo, ou no mínimo conhecidos que já morreram por complicações de Covid-19. Chega de naturalizar a morte de tanta gente, chega de achar que é ‘normal’, que é ‘natural’, que é ‘assim mesmo’”, disse o senador em declaração ao jornalista Ricardo Mota, esta semana.

Apesar das reiteradas críticas ao presidente Jair Bolsonaro, inclusive pela tentativa frustrada do governo em barra a CPI, Rodrigo Cunha não gostou da participação de outro senador alagoano na Comissão Parlamentar de Inquérito.

Em texto de sua assessoria, Rodrigo Cunha sugeriu que Renan Calheiros não deveria aceitar a relatoria da CPI, sob a alegação que é paio do governador Renan Filho. Em função disso, Cunha “recomendou” que o colega deveria alegar “suspeição”.

“Não estou acusando, nem pré-julgando. Mas esta relatoria e esta CPI da Covid precisam do máximo de independência e de neutralidade para que seu objetivo seja cumprido, que é responsabilizar quem for responsável pela imensa crise sanitária que vivemos, com desdobramentos terríveis na economia, e garantir atendimento aos doentes e vacinação em massa para a população”, disse Rodrigo Cunha.

O “ataque” de Rodrigo Cunha a Renan Calheiros tem muito a ver com o processo político local. Os dois são adversários e continuarão assim no próximo ano, quando o senador tucano pretende disputar o governo do Estado contra um nome apoiado pelos Renans.

A noite, quem deu o “troco” foi o líder do MDB na Câmara dos Deputados, o deputado federal de Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

Para ele, quem é contra acordo da indicação do senador Renan Calheiros como relator da CPI da Covid tem medo que a investigação avance livremente: “são claras demonstrações que querem uma investigação com amarras e parcialidade”, afirmou o deputado na noite desta sexta-feira, 16, no Twitter.

O “recado” no Twitter pode até não ter endereço declarado, mas foi dado logo após as declarações de Rodrigo Cunha.

O embate de Cunha, desnecessário para o momento, pode revelar um incômodo do senador com a retomada do protagonismo de Renan na política nacional – que tende a se ampliar com uma eventual candidatura de Lula à presidência. Se não é isso, pelo menos serve para amornar um pouco a temperatura na política alagoana, que nesses dias anda abaixo de zero.

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