Trump conseguirá controlar o Estreito de Ormuz?

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso televisionado sobre o conflito no Oriente Médio, no Salão Cruzado da Casa Branca, em Washington, em 1º de abrilPresidente dos EUA, Donald Trump, enviou mais de 10 mil homens para o Estreito de Ormuz

O presidente dos EUA, Donald Trump, enviou mais de 10 mil homens, além de equipamentos militares, para controlar o Estreito de Ormuz. Não há dúvidas da superioridade americana em relação ao país persa. No entanto, ela por si só não garante o controle da rota marítima no Oriente Médio.

Diferentemente do Canal do Panamá, no qual os navios param num sistema de eclusas, o controle do Estreito de Ormuz não se dá por um “pedágio”, mas por fiscalização militar iraniana em águas abertas. Quando o Irã resolve fechar o Estreito de Ormuz, significa que qualquer navio de outro país que avançar na região poderá ser alvejado pelas forças persas.

Assim, a chegada de tropas americanas para controlar a região não significa que não haverá resistência e ataques iranianos às embarcações. Diante desse risco, muitos petroleiros, mesmo com a presença militar americana terão receio de atravessar o estreito.

Além disso, a resistência iraniana poderá inclusive se alastrar para o Mar Vermelho, no Iêmen, com a atuação do grupo terrorista Houthis, fortemente apoiado pelo governo de Teerã.

Outro ponto é que, com a presença americana, os petroleiros iranianos também não vão poder passar pela região. Acontece que o mundo também depende do óleo iraniano. Não à toa, o petróleo do Irã não é sancionado. Embargar o petróleo iraniano significa encarecer ainda mais o preço da commodity, inclusive com efeitos negativos para a própria população americana.

Além dessas questões, haveria um outro complicador. O que os EUA fariam com um navio chinês na região? Deixariam passar ou iriam interceptar? O problema é que alvejar um navio chinês em águas internacionais seria considerado um ato de guerra por Pequim.

Mesmo com tantos problemas previsíveis, Trump insiste na saída pela força, acreditando num poder irrestrito dos EUA. Já foi um erro estratégico Trump começar a guerra, mesmo com vozes do seu governo (Rubio e J.D Vance) sendo contrárias ao ato. Será mais um equívoco monumental de Trump tentar tomar o Estreito de Ormuz.

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